Opinião “Dias de Fome e de Angústia” de Neel Doff

Título: Dias de Fome e de Angústia

Autor: Neel Doff

Edição: Novembro 1975

Tradução: Amélia Pato

Páginas: 180

Editora: Liber

ISBN: N/A

Sinopse

O destino de Neel Doff é um destino feminino fora de série.

Nascida miseravelmente em 27 de Janeiro de 1858, numa pequena cidade holandesa das margens do Mosa, Neel Doff faleceu em Bruxelas em 1942, depois de ter dado à literatura de língua francesa uma das autobiografias mais pungentes que alguma vez foram escritas.

“Dias de Fome e de Angústia” é um documento sem concessões sobre o sub-proletariado europeu na segunda metade do século XIX. Fome, desemprego, analfabetismo, prostituição e aviltamento inevitáveis são “a miséria pintada por Neel Doff com o carácter inimitável, mesmo do génio, do vivido”.

Mas aquela que, tendo passado os vinte primeiros anos da sua vida neste inferno, pôde escrever “em francês”, aos cinquenta anos, a história da sua vida, e que obtém o prémio Goncourt de 1911, tendo o voto de Octave Mirbeau, essa mulher não é uma qualquer. Bastará ler este livro para a conhecer.

Opinião

Que livro tão triste, tão perturbador.

É o relato da própria autora sobre a sua infância e adolescência completamente miseráveis, pautadas pela fome, falta de condições de higiene e, mais tarde, prostituição.

A dor da pobreza e o estigma social provocado dentro da sociedade holandesa e, posteriormente, da sociedade belga, são temas muito abordados. A vergonha de ser pobre, de pedir auxílio…

Uma família que vive cheia de nada, mas que tem cada vez mais filhos, nove no total. Não se consegue arranjar trabalho, não é possível pagar a renda, uma vida a fugir de credores, as crianças a mudar constantemente de escola ou a deixar simplesmente de a frequentar.

A sensação sempre presente de não se pertencer a lado algum, de não se ser aceite por ninguém.

As crianças precisam de crescer depressa para enfrentar as cruzes da vida e de trabalhar arduamente para trazerem alguma, pouca, ajuda para casa.

Este é um livro que nos puxa pela empatia, pela vontade de abraçar todos os que precisam e poder dizer “está tudo bem”.

Um livro muito velhinho, meio perdido nas prateleiras da estante cá de casa, publicado em Portugal no ano de 1975.

Faz-me lembrar imenso “As Cinzas de Ângela” que já li há anos e que também adorei.

❤️ boasleituras.pt ❤️

Author: Ana Rute Primo

Licenciada em Educação, com especialização em Pedagogia Social e da Formação, empreendedora e autodidata do mundo digital, apaixonada por livros (tanto faz que sejam em papel como em formato ebook), viciada em bibliotecas e livrarias, adora animais e a natureza, preza o silêncio e o bem-estar físico e emocional. Traz sempre a família no coração. Podem segui-la no instagram em https://www.instagram.com/anaruteprimo .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *