Opinião «Mataram a Cotovia» de Harper Lee

Título: Mataram a Cotovia

Autora: Harper Lee

Edição: Março 2016

Tradução: Fernando Ferreira-Alves

Páginas: 352

Editora: Relógio D’Água

ISBN: 9789896412746

Sinopse

Situado em Maycomb, uma pequena cidade imaginária do Alabama, durante a Grande Depressão, o romance de Harper Lee, vencedor do Prémio Pulitzer, em 1961, fala-nos do crescimento de uma rapariga numa sociedade racista.
Scout, a protagonista rebelde e irónica, é criada com o irmão, Jem, pelo seu pai viúvo, Atticus Finch. Ele é um advogado que lhes fala como se fossem capazes de entender as suas ideias, encorajando- -os a refletirem, em vez de se deixarem arrastar pela ignorância e o preconceito.

Atticus vive de acordo com as suas convicções. É então que uma acusação de violação de uma jovem branca é lançada contra Tom Robinson, um dos habitantes negros da cidade. Atticus concorda em defendê-lo, oferecendo uma interpretação plausível das provas e preparando-se para resistir à intimidação dos que desejam resolver o caso através do linchamento. Quando a histeria aumenta, Tom é condenado e Bob Ewell, o acusador, tenta punir o advogado de um modo brutal.

Entretanto, os seus dois filhos e um amigo encenam em miniatura o seu próprio drama de medos, centrado em Boo Radley, uma lenda local que vive em reclusão numa casa vizinha.

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Opinião

A Narrativa decorre na década de 1930, no condado de Maycomb, Alabama, e acompanha o crescimento de três crianças que vão encetando as suas aventuras e traquinices pelo bairro, recorrendo em grande medida ao imaginário coletivo e ao folclore. Duas das crianças são irmãs e o pai é um advogado honesto tido em grande conta pelos seus congéneres.

Aborda, em grande medida, questões sociais como, a pobreza, a educação, a igualdade de géneros e o racismo, embora este último seja o que caracteriza mais profundamente a obra.

«As pessoas não vão mudar só por alguém lhes falar em condições, elas têm qu’ ter vontade de aprender por elas próprias, e quando não querem aprender, então não há mais nada a fazer do que manter o bico calado ou falar a língua deles.» (p. 155)

Este livro pretende demonstrar a dura realidade do Sul dos E.U.A à época, mas, na minha opinião, surge demasiado romanceado no sentido em que retrata algumas pessoas que defendem os negros como pessoas iguais, o que me parece ter uma dimensão exagerada para o contexto em questão, em que a supremacia branca era praticamente incontestável.

«(…) vais ver sempre homens brancos a enganar homens negros, mas deixa que te diga uma coisa que nunca mais vais esquecer… sempre que um homem branco fizer algo a um homem negro, independentemente da sua natureza, posição, riqueza ou linhagem familiar, esse homem branco nada mais é senão lixo.» (p. 265)

Demorei-me um pouco mais do que o habitual com esta leitura porque, para além de ter tido muitas coisas a acontecer em simultâneo na minha vida, senti que a escrita é pouco fluida e algo densa, em especial em descrições de determinadas situações.

Não sei se a tradução não deixará algo a desejar uma vez que tenta reproduzir o sotaque acentuado dos sulistas e, obviamente, isso perde-se completamente com a tradução.

«Um Suga-Vidas é alguém qu’ não consegue ir pró Céu e que fica apenas a vaguear pelas estradas desertas e se tu tiveres o azar de te cruzar com ele, atão quando morreres transformas-te num, e depois passas a andar à noite a sugar a respiração das pessoas…» (p.52)

É uma história bonita, triste, com um significado muito profundo, em especial se tivermos em conta que foi escrito em 1960. Gostei muito e recomendo a leitura desta obra de referência que retrata uma época tão infame e ainda não tão longe da nossa realidade quanto o desejado.

«Acho que só há um tipo de pessoas. Pessoas.» (p. 271)

Boas Leituras ❤️

Author: Ana Rute Primo

Licenciada em Educação, com especialização em Pedagogia Social e da Formação, empreendedora e autodidata do mundo digital, apaixonada por livros (tanto faz que sejam em papel como em formato ebook), viciada em bibliotecas e livrarias, adora animais e a natureza, preza o silêncio e o bem-estar físico e emocional. Traz sempre a família no coração. Podem segui-la no instagram em https://www.instagram.com/anaruteprimo .

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